Flertando com a Morte / Flirting with Death
Não foi um grito
foi mais sutil que isso
foi um pensamento
educado demais para assustar
“e se você descansasse agora?”
a morte não chegou vestida de preto
veio como quem oferece água
num dia quente demais
e eu, cansada de sustentar versões de mim,
quase aceitei
quase deitei no colo dela
como quem finalmente para de argumentar
porque viver, às vezes,
é esse exercício violento
de continuar
mesmo quando ninguém está olhando
mesmo quando você não está convencida
ela não me puxou
não precisou
só ficou ali
paciente
como quem sabe
que o cansaço faz convites melhores que ela
mas eu ainda tenho
essa mania inconveniente
de sentir demais
e sentir, por pior que seja,
ainda me mantém do lado de cá
então eu disse não
não por coragem
mas por hábito
e voltei
meio torta
meio viva
inteira demais para desistir
quebrada demais para negar.
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It wasn’t loud
nothing dramatic
just a thought
too polite to be feared
“what if you just rested now?”
Death didn’t come in darkness
it came like a glass of water
on a day so hot that hurts to exist in
and I, tired of holding up versions of myself,
almost said yes
almost leaned into it
like someone done arguing
because living, sometimes,
is this brutal practice
of staying
even when no one is watching
even when you’re not convinced
it didn’t pull me
it didn’t have to
it just waited
patient
like it knows
exhaustion makes better invitations than it does
but I still have
this inconvenient habit
of feeling too much
and feeling, as heavy as it gets,
still keeps me here
so I said no
not out of courage
but out of habit
and came back
crooked
breathing
too whole to disappear
too broken to pretend.
Quase morri do dia 17 de março de 2026. Acordei. Viva. Ainda não desisti.
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